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A Eureko está disposta a estudar as propostas acordadas pelo grupo de accionistas liderado por Pedro Maria Teixeira Duarte e considera que o contrário seria “infantil” da sua parte.
“Uma nova guerra de accionistas, obviamente não interessa a ninguém”, afirmou ao Diário Económico Lorrie Morgan, porta voz da seguradora holandesa, apontada como o principal bastião de apoio das posições de Jardim Gonçalves.
Sem se pronunciar sobre novos modelos ou sobre a forma como o processo tem sido conduzido, a Eureko, que detém 9,96% do capital do BCP, o que a torna no maior accionista do banco, pretende acima de tudo preservar uma parceria com 15 anos em que continua empenhada. Essa parceria (ver texto ao lado) foi forjada entre Jardim Gonçalves e Gisjbert Swalef na área dos seguros e, mais tarde, da gestão de activos. Hoje, Swalef, ‘chairman’ da Associação Achmea – seguradora de que já foi CEO e que é o principal accionista da Eureko –, integra o conselho geral de supervisão do banco, como vice-presidente do orgão liderado por Jardim. E Jardim tem igualmente lugar no ‘supervisory board’ da Eureko.
“O BCP é um parceiro de longo prazo com grande interesse estratégico para a Eureko”, continua Lorrie Morgan. “Temos interesses e negócios em comum na área da gestão de activos e também na área seguradora, na Polónia, e continuamos a olhar para outras áreas de investimento”, acrescenta.
Nesse contexto, percebe-se que a seguradora tenha resistências em embarcar num processo conduzido fora dos orgãos do banco, sobretudo em oposição a Jardim Gonçalves. No entanto, a Eureko não assume qualquer hostilidade em relação ao grupo de accionistas reunido por Teixeira Duarte para mudar o maior banco português.
Lorrie Morgan não confirma – nem desmente – que a seguradora tenha vindo a ser informada sobre as propostas negociadas pelos restantes accionistas. Também não esclarece se a Eureko aceitará entrar num diálogo directo com a Teixeira Duarte ou se colocará como condição que as conversas se processem dentro do conselho de supervisão, como pretende Jardim Gonçalves. Sobre esse assunto, a mesma responsável afirma apenas: “É no interesse do bom governo das empresas ouvir o que todas as partes têm para dizer. Seria muito infantil da nossa parte fechar a porta a esse diálogo se ele permitir chegar a uma solução.”
No final do 2006, a participação de 7,161% da Eureko no BCP valia 732 milhões de euros. Nove meses depois – entre as duas assembleias gerais que geraram a maior crise interna do banco – a seguradora reforçou em quase 3% no capital do maior banco privado português, aumentando assim o seu património para 1,2 mil milhões de euros.
A Eureko e o BPI, que detám uma posição superior a 7%, têm peso para fazer pender o fiel da balança do poder o suficiente para que as propostas do novo modelo de governação passem sem mais conflitos ou sejam afastadas. Nos últimos dias, o silêncio de ambos deu margem para que o lado institucionalista, corporizado em Jardim Gonçalves, colocasse em dúvida a real representatividade do movimento liderado por Teixeira Duarte. Mas também para que os adeptos da mudança passassem a mensagem de que o processo de mudança será largamente consensual. A Eureko considera ser cedo para apontar as suas espingardas para um lado ou outro. Prefere evitar ter de as disparar.
O parceiro de Jardim A paixão pelos seguros acaba por dominar toda a carreira de Swalef, que abandonou a Eureko em 2005. Hoje é vice-presidente do orgão liderado por Jardim Gonçalves, ou seja o Conselho Geral e de Supervisão do BCP. Em 1970 faz parte da equipa de fundadores da seguradora Vida Equity&Life, na Holanda. Uns anos mais tarde torna-se o presidente da mesma instituição. Entre 1989 e 1992 foi nomeado ‘chairman’ da Centraal Beheer. Gijsbert Swalef também liderou o processo da formação da aliança estratégica pan-europeia de seguros.A Avero Centraal Beheer Insurance Group (AVCB) foi uma das parceiras que mais tarde deu lugar à Eureko. Entre 1995 e 2000 tornou-se no CEO da Achmea e depois da Eureko. Foi o primeiro vice-presidente do Comité Europeu de Seguradoras.
Acções continuam a cair O BCP perdeu 800 milhões em valor de mercado desde que Filipe Pinhal substituiu Paulo Teixeira Pinto na presidência do conselho de administração, no dia 31 de Agosto. Em sintonia com o desempenho do sector financeiro europeu, as acções do banco português desvalorizaram 5,8% nesse período e fecharam ontem nos 3,23 euros.
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