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24/09/2007
Teixeira Duarte desiste e aceita plano de Jardim Gonçalves
Diario Económico 14:04 Horas



Jardim Gonçalves tomará na reunião de hoje do conselho geral e de supervisão, órgão a que preside, as medidas necessárias para chamar a si a discussão sobre o futuro modelo de governação do BCP. Pelas 15h00, os seus colegas de conselho, bem como alguns membros convidados do conselho superior, serão confrontados com uma proposta de alargamento da já existente comissão de sustentabilidade e governo societário.

O objectivo do fundador do maior banco privado português é que todos os contactos com os accionistas sobre este tema sejam liderados, não pela Teixeira Duarte, como até aqui, ou por qualquer outro accionista, mas sim por esta comissão renovada e presidida por si. Desta forma, Jardim Gonçalves dá um claro sinal da sua oposição à realização de uma assembleia geral (AG) extraordinária para Novembro para alteração do modelo de governação.

Ao longo dos últimos dias, o banqueiro falou com os principais accionistas do BCP e dirigiu-lhes convites para integrarem a comissão de sustentabilidade e governo societário do banco. Ao avançar com o alargamento desta comissão, que tem por função analisar os temas de ‘corporate governance’, Jardim Gonçalves pretende torná-la mais representativa da actual base accionista do banco e, dessa forma, conferir-lhe mais poder e legitimidade para a condução dos trabalhos. Esta comissão depende do conselho geral e de supervisão, pelo que compete a este órgão pronunciar-se sobre qualquer proposta que vise alterar a sua composição.

Na opinião de Jardim Gonçalves, está por provar a vantagem de substituir o actual modelo dualista do BCP, que contempla um conselho de administração executivo, com funções de gestão, e de um conselho geral e de supervisão, a quem compete fiscalizar e aprovar as principais linhas da estratégia. Alguns accionistas do BCP têm trabalhado, sob a orientação da Teixeira Duarte, no desenvolvimento de um projecto de modelo monista, que assenta na existência de um conselho de administração alargado, de onde emana uma comissão executiva, ficando as funções de fiscalização entregues ao conselho fiscal.

Na AG de 27 de Agosto, Jardim Gonçalves frisou que os modelos são importantes, mas que o mais importante são as pessoas. Ou seja, o que banqueiro pretende é que esta comissão, onde terão assento os principais accionistas do BCP, como a própria Teixeira Duarte, inicie o estudo dos prós e contras dos dois modelos e que, só depois de obtido um diagnóstico, se tome uma decisão. Uma eventual alteração de estatutos do BCP ficaria assim remetida para a AG anual ordinária de Março, que, entre outros pontos, terá em cima da mesa a eleição de um novo conselho de administração.

Assim, Jardim Gonçalves pretende enterrar de vez as pretensões dos accionistas que defendem a realização de uma reunião extraordinária para aprovação de um novo modelo de governação.

Na semana passada, o Diário Económico noticiou que a Teixeira Duarte só convocaria uma AG se obtivesse a adesão de uma larga e confortável maioria dos accionistas ao novo projecto de alteração de estatutos, o que não se terá verificado.

Ainda que a governação do banco seja o tema central da reunião do conselho geral e de supervisão de hoje à tarde e que terá lugar na sede do BCP, na Rua Augusta, constam da agenda outros assuntos, como a crise do ‘subprime’ e o eventual impacto nas contas de exploração do banco, bem como a revisão do programa ‘Millennium 2010’. Filipe Pinhal, o novo presidente banco, estreia-se hoje nas reuniões do órgão de fiscalização.

Acções perdem 16,8% desde a última AG
O mercado continua a penalizar as indefinições que ainda circundam a administração do maior banco privado português, pelo que os títulos do BCP desvalorizaram 16,8% desde a última reunião de accionistas (ver gráfico), realizada no dia 27 de Agosto. É certo que a crise nos mercados financeiros justifica parte deste desempenho, contudo, no mesmo período, o índice PSI-20 caiu 4,56%, enquanto o “Bloomberg Europe Banks and Financial Services” - que reúne 65 instituições financeiras na Europa - deslizou apenas 2,19%.

Deste modo, o BCP perdeu 2,2 mil milhões de euros em valor de mercado no último mês e as acções fecharam, na passada sexta-feira, nos 3,02 euros, nível mais baixo dos últimos quatro meses. O banco liderado por Filipe Pinhal segue agora com um retorno anual de 7,86%, atrás do Banco Espírito Santo que acumula ganhos de 16%.

Sonangol próximo dos 5% do capital social
A petrolífera angolana Sonangol já detém, directa e indirectamente, segundo uma fonte contactada pelo Diário Económico, 4,7% do capital do BCP, aproximando-se a passos largos da participação qualificada de 5%. A empresa, presidida por Manuel Vicente, mantém negociações com o maior banco privado português para o desenvolvimento de uma parceria estratégica no Millennium bcp em Angola.

No âmbito de um acordo, cujas negociações foram iniciadas ainda por Paulo Teixeira Pinto, a Sonangol assumiria uma participação significativa no capital daquele banco e, em simultâneo, torna-se num dos principais accionistas do BCP. Na AG de 6 de Agosto, a petrolífera fez-se representar com 3% do capital, tendo vindo, desde então, a reforçar a sua participação, que, actualmente, ascende a 4,7%. Na última AG, de 27 de Agosto, o representante da Sonangol remeteu-se a um silêncio absoluto.